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Sexta-feira, 11 de Março de 2005
11-M

Roses_Dick and Diane Stefanich_AllPosters com.jpg


e era o mês de março
e os dias eram onze
e os campanários todos
repetiram ecos do horror
com sabor a bronze
e era a lágrima no rosto mais rude
e era a raiva
o espanto
a dor
e em qualquer plaza mayor
à volta de um copo de xerez
cristo e maomé discutiam o preço do barril de crude
e era el pozo
bagdad
kitrit
e eram os puta-que-pariu um deus que tal permite
e era hebron
jiló
golan
e era ali a hora e a vez
dos olhos das crianças esventradas
que brilhavam como milhares de sóis
por entre nuvens com cheiro a hortelã

e todos fomos judeus
palestinos
afegãos ou espanhóis
gente
e de mãos dadas

…e era a vontade de seguir em frente…

que importa que amanhã sejamos nós?






(poema escrito em 11/03/2004 por J. M. Restivo Braz – Artesão de Palavras)

(imagem: “Roses” - Dick & Diane Stefanich – AllPosters.com)

publicado por DespenteadaMental às 22:44
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10 comentários:
De DespenteadaMental a 14 de Março de 2005 às 00:22
sotavento, Para darem as mãos, terão, primeiro, de tirá-las de muitas coisas e não estão interessados na troca. Há-de ser este o motivo, embora não o declarem.
Abraço.
De sotavento a 13 de Março de 2005 às 00:49
"Puta-que-pariu" mesmo! Deuses e homens e afins que não sabem dar as mãos!... Gostei do texto e da foto!... :)
De DespenteadaMental a 12 de Março de 2005 às 22:23
JRD, Não é para agradecer, porque é obrigação dos que sobreviveram.
Abraço.
De DespenteadaMental a 12 de Março de 2005 às 22:22
'123de4', Direi mais - há certas coisas que nunca quererei entender, mesmo que, um dia, sejam consideradas entendíveis.
Abraço.
De DespenteadaMental a 12 de Março de 2005 às 22:20
Moriana, Pelo caminho que levamos, eu, que sou optimista, já me pergunto se não virá o dia em que a tragédia seja nascer.
Beijo.
De DespenteadaMental a 12 de Março de 2005 às 22:18
'Pilantra', Ao longo do tempo, deus tem servido para tudo - ontem, a uns; hoje, a outros. É caso para perguntar que deus é este, que todos os 'serviços' permite.
Beijo.
De JRD a 12 de Março de 2005 às 19:01
Em nome do "António" e de todos os "Antónios", obrigado por teres publicado este poema.
Abraço
De 123de4 a 12 de Março de 2005 às 15:45
Uma bonita homenagem a tua com uma linda fotografia muito apropriada! Há certaz coisas que nunca se entenderão...:(
De moriana a 12 de Março de 2005 às 11:35
em todas as tragédias nos identificamos. podíamos ter sido nós. um dia seremos, de uma outra forma, talvez. a própria vida anuncia essa tragicidade a que não podemos fugir.
beijos.
De Pilantra a 12 de Março de 2005 às 00:36
Sem deus, sem pátria, sem autoridade à mercê de loucos com deus por pátria e autoridade. Em todo o lado, com diversos nomes mas sempre a mesma coisa abjecta, sanguinária, demente despedaçando os presumíveis para glória e impunidade dos réus. Não há outro caminho que esse dos poetas, de dar as mãos e ir em frente! Um beijo pela sua opção de nos dar esse poema.

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