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Segunda-feira, 14 de Novembro de 2005
A relatividade dos conceitos

Relativity_M C Escher.jpg

O silêncio será de ouro,
quando resguarda a palavra
que é jovem para vir ao mundo.
Mas não é mais do que aldraba,
se tranca o vazio de um poço
seco, sem nada, sem fundo.


(imagem: “Relativity” – M. C. Escher – art.com)

publicado por DespenteadaMental às 21:39
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Sábado, 12 de Novembro de 2005
Num jardim imaginário

A young girl carefully touches the thorn of a cactus_John Burcham.jpg


Neste Jardim da Celeste,
à beira-abismo plantado,
há um cacto hirto, agreste,
que se tem por desejado.
Só se for pelo canteiro
das urtigas mal-fazejas
que, à falta de jardineiro,
crescem mais do que carquejas.
Ou será p’lo alcatrão
que estendeu entre canteiros?...
Ou talvez pelo betão
destes muros altaneiros?...
Talvez também o deseje
um trevo mais exaurido,
para sombra em que almeje
viver azedo e florido.
Só não convence o cipreste
que, do seu porte alto e sério,
já lhe gritou: Ó agreste,
pensas que isto é o cemitério?!...
Só lá é que faz sentido
essa mudez programada,
pois quem morreu está morrido,
já não pergunta mais nada.
E se algum morto esquecido
do seu estado de extinção
se mostrar mais atrevido
nalguma interpelação,
então, sim, pões um ar sério
e cortas lesto o paleio,
antes que no cemitério
nasçam forças de bloqueio.
Agora, aqui, no jardim,
não há lugar para amorfos,
por isso é que p’ra cá vim,
cansei-me de só ver mortos.
E sais-me tu pela frente
com esse ar encafuado
e a pensar que há muita gente
que te tem por desejado!...
É que cipreste sou eu
e nunca, no meu fadário,
para tal coisa me deu,
ser assim tão funerário.
Eu não seja mais cipreste,
nem arbusto, sequer mato,
se no Jardim da Celeste
o desejado é um cacto...



(imagem: “A young girl carefully touches...” - John Burcham –
art.com)

publicado por DespenteadaMental às 23:48
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Sexta-feira, 11 de Novembro de 2005
Cá estamos nós!

Crowd_Diana Ong.jpg

Vem,
traz os sonhos
e os dissabores,
as alegrias
e as dores
traz as fraquezas, também.
Aqui esperamos alguém
que saiba mostrar-se inteiro
e possa ser caminheiro
de avenidas e veredas,
que não prefira alamedas
ou dourados areais;
que não nos fale de mais
nem recorra a mascaradas
de tabus e tabuadas.
Que venha quem saiba ouvir
e, depois, reproduzir
em actos, não só palavras,
nem só contas secas, magras,
nem só discursos pomposos,
que já andamos nervosos
de tanto contar p’los dedos
e cansados dos enredos
entre o mudo e o falador.
Alegre, faça o favor,
de lançar a sua voz
e dizer: “Cá estamos nós!
Não temos nada a esconder
nem mundos a prometer.
Apenas esta vontade,
que há-de ser realidade
e não apenas poesia,
de ser cada vez melhor
e, assim, cada vez maior
a nossa Cidadania."




(imagem: “Crowd” - Diana Ong – art.com)

publicado por DespenteadaMental às 23:49
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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2005
Da mundividência e sua ausência

Human eye and sunset_Whitney and Irma Sevin.jpg

Lá, onde passei tempos de infância,
numa aldeia, ali, perto de Mafra,
era o ti’Jaquim a alta instância
local e com a última palavra.
Era sapateiro e Regedor,
mestre na arte da sovela,
no passar do sebo com rigor,
pr’a evitar ao fio qualquer querela,
quando ele cosia a gáspea à sola
já batida, e com tal preceito,
que, ao fender-lhe, em volta, uma virola
era um corte só, certo, perfeito.
Ora, o ti’Jaquim sabia tanto
de gáspeas, de solas e pessoas,
que tanto batia numas, quanto
às outras dizia das bem boas.
Chamava à razão o calaceiro,
dirimia zangas quanto a extremas,
levava a casar o trapaceiro
e os seus argumentos eram lemas.
E se o taberneiro, que não tinha
co’o martelo alguma afinidade,
“martelava” o vinho, logo vinha
um cascudo da autoridade.
Se uma vaca, às vezes, de teimosa,
fazia a pastagem predilecta,
comendo, ora a erva, ora a rosa,
ficavam, vaca e dono, de dieta.
Tendo o ti’Jaquim aceitação,
p’ra ser Regedor ou Presidente,
nunca se achegou ao rabecão,
prova de que era inteligente.
É que lá, no rio da sua aldeia,
não havia arraia que estendesse
o seu manto como panaceia,
se além da sovela se atrevesse.
Se a moldar a sola ele era audaz
e a tocar as “reses”, bom pastor,
não seria mais que capataz,
se ousasse ir além de Regedor.
Era o ti’Jaquim um sapateiro,
vendo muito além da meia-sola,
mais do que “avis rara” em cativeiro
circunscrita à área da gaiola.


O ti’Jaquim sapateiro foi Regedor da freguesia do Gradil, entre 1955 e 1960, pelo menos. Era um bom homem, junto de quem eu gostava de ficar a ouvir lendas, enquanto brincava com o gato, e a vê-lo trabalhar.



(imagem: “Human eye and sunset” - Whitney & Irma Sevin – AllPosters.com)

publicado por DespenteadaMental às 22:24
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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2005
Correr atrás de um sonho...

A blade of grass with drops of dew against the setting sun_Raul Touzon.jpg

Como um rio que, antes de o ser, foi gota de água
que teve o sonho de ir mais longe, de ser mar
e, assim, fugir à solidão, à míngua, à mágoa
de ser salpico frio ou lágrima a escaldar.


E, assim, tentei complementar a ideia enunciada no Água lisa, pelo nosso companheiro João Tunes.



imagem: “A blade of grass with drops of dew...” – R. Touzon –
art.com)

publicado por DespenteadaMental às 21:48
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Terça-feira, 8 de Novembro de 2005
"Sonhar é preciso!"

Golden dream_William Lees Judson.jpg

Que só nos traz um sonho e que isso é pouco,
diz quem acha que um sonhador é louco,
sem saber que loucura é ignorar
que sofrer por um sonho é sacrifício
menor do que ser vítima do vício
do QUERER, do PODER e do MANDAR.




(imagem: “Golden dream” - William Lees Judson –
ARTCYCLOPEDIA)

publicado por DespenteadaMental às 23:53
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Segunda-feira, 7 de Novembro de 2005
A sombra das palavras ofuscantes

Gentleman s Club_Williams.jpg

Será punhal, mas há quem diga rosa,
se é cortante o efeito da palavra
que se oculta, cobarde, numa prosa
brilhante, como lâmina de adaga.



(imagem: “Gentleman’s Club – Williams – thefineartcompany)

publicado por DespenteadaMental às 23:42
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Que exuberância!...

exuberante.jpg

Segui um “link” sugerido pelo nosso companheiro “O Jumento” e... até me intimidei com tanta exuberância. Um pouco em desequilíbrio, é certo, mas, considerando o desalinho das ideias, vá lá, vá lá...

Vale a pena a brincadeira, porque resultam figuram bastante interessantes.
Para quem tiver curiosidade, aqui fica o “caminho das pedras”,  com os devidos créditos ao OrganicHTML  e ao Jerico.


(imagem: o “look” do meu blogue, segundo o OrganicHTML)

publicado por DespenteadaMental às 23:38
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Domingo, 6 de Novembro de 2005
O que fez o Poeta?...

Golden sunrise curl_Woody Woodworth.jpg

Fez, da palavra certa, arma ou ternura,
da voz, ora fez grito, ora fez canto,
juntou raios de sol à noite escura
e ondas de alegria ao mar de pranto.



(imagem: “Golden sunrise curl” - Woody Woodworth – art.com)

publicado por DespenteadaMental às 21:59
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Sábado, 5 de Novembro de 2005
A grandeza do Poeta

The Poet s Inspiration_Nicolas Poussin.jpg

Pega na palavra mais comum,
enobrece-lhe o sentido
e, num passe de magia,
transforma-a na rainha do seu verso.
Humilde, por achar-se só mais um,
curva-se agradecido
e exalta a Poesia,
que o faz ver, num grão de areia, o Universo.



(imagem: “The Poet’s Inspiration - Nicolas Poussin –
art.com)

publicado por DespenteadaMental às 22:34
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