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Sábado, 24 de Dezembro de 2005
A quem me tem acompanhado...



Velas_palermoviejo.gif


... aqui deixo três velas e, por cada uma, um desejo:

- Saúde;
- Vida tranquila;
- Dinheiro suficiente para desfrutar ambas.


FELIZ NATAL!!!




(imagem: “Velas” – Palermo Viejo)

publicado por DespenteadaMental às 17:17
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Terça-feira, 6 de Dezembro de 2005
A “Praça da Canção”

All in a crowd_Diana Ong.jpg

E, aos poucos, a praça vai-se enchendo...
Chega gente de todos os quadrantes,
numa maré de vontades, em crescendo,
que envolve novos e velhos navegantes.
Pelas ruas circundantes, o rumor
vai-se espraiando por passeios e arcadas
e as casas, acordando do torpor,
abrem janelas em alegres gargalhadas.
Tomadas p’la alegria que há na rua,
enfeitam-se e alinham os telhados.
Já há quem diga que, logo à noite, a lua
vai invejar-lhes os novos penteados
e, para não ficar aquém das casas,
será capaz de exceder-se em luz e brilho
sobre as fachadas, deixando-as como brasas
a indicar, a quem chega, qual o trilho.
E se, ao chegar, cada um vem de seu lado,
ao partir, já é só uma a direcção
- multiplicar a área do “quadrado”,
fortalecer a “Praça da Canção”.




(imagem: “All in a crowd” - Diana Ong – AllPosters.com)

publicado por DespenteadaMental às 22:58
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Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2005
“Cântico azul-marinho e verde-esperança”

Seagull_Ian Britton_FreeFoto com.jpg

Cansam-me as mentes austeras
cingidas pela escassez
de interesse por várias esferas.
E espanta-me a insensatez
de quem louva a austeridade
fruto da incapacidade
para um pensamento aberto
que, perante o que é incerto,
esconde a dúvida no erro
que é condenar-se ao desterro
de cumprir uma matriz
e com isso ser feliz.

Quero quem tenha do humano
a maior sabedoria,
para lidar, mano a mano,
com a vida do dia a dia,
que não vem num manual
- tantas são as variáveis -,
pelo que é essencial
que, de todos os notáveis,
ganhe quem saiba da alma
da gente que, de uma vez,
conseguiu levar a palma,
contra um “fado” português
"cantado” por outro austero,
de corpo e de pensamento,
que, com pulso rude e fero,
fez do país monumento
ao silêncio, ao medo, à morte...

Não quero quem me lembre de tal sorte,
quem confine a uma baía o mar da vida,
insistindo numa rota já batida
que leva a um só cais,
num mar cinzento e frio, sem risco ou chama.

Quanto aos demais,
lá, onde mora o sonho e a alma se derrama
por horizontes há tanto desejados,
são cais esquecidos, são portos ignorados
pela barca de um só rumo, cega e surda
às vozes que, na amurada, se levantam,
quando o vento da vontade nasce e muda
o rumo e a rima dos versos que ao mar cantam.

Por isso, a esses cais não vai qualquer navio.
Só vai o que não teme o desafio
de inscrever no voo das gaivotas
a rima de outros versos, a espuma de outras rotas
que nunca o céu de chumbo encobriu.

Por que voltar à cinzenta rota antiga,
se há tanto azul no mar e verde na cantiga
e a vontade de cantar não se extinguiu?


(imagem: “Seagull” - Ian Britton – FreeFoto.com)

publicado por DespenteadaMental às 23:02
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