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Sábado, 1 de Outubro de 2005
Férias e "fúrias"

Como disse, estive de férias, em Sesimbra, uma vila simpática e para onde vou desde 1992. Como não aprecio confusão nem calor, vou antes e depois de uma e de outro. Isto é, vou em Junho e em Setembro, como quem vai abrir e fechar a praia. E já tenho “colaborado” na abertura, reclamando, junto de quem de direito – Câmara Municipal e Delegação Marítima -, pelo atraso da vistoria aos apoios de praia, que pagam licença de funcionamento desde o início da época balnear e, por vezes, quando lá chego, em 16 de Junho, vistoria nem vê-la, o que, legalmente, os impediria de trabalhar, mas... Adiante!

Desta vez, calhou estar lá no dia do protesto dos pescadores contra as novas regras (distâncias da costa) para a pesca naquela área.
Foi no dia 14 de Setembro. Começou com o barramento da entrada/saída do porto, entre as 6h e as 12h. Solidariamente, não fui à praia e aproveitei para registar o evento.

Sesimbra_01.jpg
Porto fechado por vários barcos de pesca


Sesimbra_02.jpg
Pequeno barco com bandeiras pretas, passando frente à marina e à minha varanda


Sesimbra_03.jpg
Ao meio-dia, teve início o desfile de embarcações que se dirigiram para a área do mar frente ao centro da vila, onde a população e os comerciantes solidários (fecharam o comércio entre as 10h e as 12h) se concentraram em apoio ao protesto dos pescadores


Sesimbra_04.jpg
Visão parcial e longínqua do desfile. Emocionante!


Não sei se as novas regras têm razão de ser ou se são justas. Li o que foi publicado sobre o assunto, mas, será realmente a defesa de “habitats” de reprodução o que lhes está na origem? Por vezes, há argumentos muito convincentes, mas que não passam de mero pretexto...
O que sei é que muitos homens que vivem da pesca perto da costa, para a qual saem em barcos que não podem vencer grandes distâncias (é vê-los baloiçar, quando, junto ao porto, um barco maior sulca o mar, deixando um rasto de ondulação) e, pelo porte e por ser um homem apenas a tripulá-lo, não pode trazer grande pescaria, dizia eu que o que sei é que esses homens vão perder o seu ganha-pão ou o pequeno remendo com que tapam os buracos que a reforma, a pensão de sobrevivência ou o subsídio de desemprego, quando existem, não cobrem.
Dizia um deles para a reportagem televisiva, mais ou menos isto: - Vou fazer o quê?... Ficar sentado no muro?...
É! Há quem viva “em cima do muro” por opção, antes de decidir para que lado há-de cair. A estes homens não resta alternativa que não seja sentarem-se no muro a olhar o mar que se lhes oferece, mas que outros homens lhes negam em nome da defesa de algumas espécies piscícolas. Será?...


No dia 19, véspera de regressar a casa, fui dar a última volta pela vila e lembrei-me de levar a máquina fotográfica.

Sesimbra_07.jpg
Na praia da Califórnia, encontrei os homens do mar na habitual tarefa de preparação das “artes” para a pesca do peixe-espada (preto, creio eu).


Na praceta para lá da marginal, finalmente, este ano, fotografei

Sesimbra_08.jpg
o monumento aos pescadores, que, além da fúria do mar, têm de enfrentar a “fúria” das leis.


A partir daqui, começa uma outra "fúria" - a minha.
Segui caminho pela avenida marginal sobranceira à praia da Califórnia – Av. 25 de Abril -, para ir ver o novo arranjo de que fora alvo. Ia olhando e não decidindo se gostava do que estava a ver. Mas continuei até ao fim, sempre junto ao muro sobre a praia. Voltei e resolvi vir pela parte da avenida que, agora, se mostra pavimentada a mármore (foi o que me pareceu) de uma cor clara, onde o sol dardeja e cega. Ia olhando os novos edifícios e andando e... quase caindo, porque o novo pavimento é em socalcos, sem que a beira de cada um deles esteja sinalizada. Valeu-me ter sido bailarina de folclore e ter dançado em alguns palcos cuja lisura de piso deixava muito a desejar. Não fora essa capacidade de equilíbrio adquirida ao longo de cerca de 10 anos e eu teria mergulhado em mar seco... e duro.
Quem terá sido o arquitecto paisagista (se é que houve) que idealizou uma coisinha daquelas? Num sítio que convida a que se dê liberdade às crianças para correr, como é possível ter um piso daqueles, em que, quem vem de Este para Oeste (sentido descendente daquela "socalcaria"), não se apercebe de que existem socalcos, por falta de sinalização e dado o espelho de sol em que se transforma?
E, pior, aquela coisa termina, abruptamente, a cerca de meio metro de altura do chão, se não for mais...
Quantas crianças, quantas pessoas idosas já ali caíram ou virão a cair?... Ai, “jasus”, valha-me deus!...
Como, felizmente, não caí, pude continuar o passeio, agora, na companhia de pensamentos com tendência para desabafos praguejentos, do tipo: raios partam estas modernices acéfalas.
Fim de “fúria”.


Subi a Av. da Liberdade e, a meio, parei na Papelaria Universal, que costumo frequentar, em busca de livros. Comprei “Longe de Manaus”, de Francisco José Viegas, e este postal,

Sesimbra_postal.jpg
que mostra a perseguição aérea que as gaivotas fazem aos barcos que regressam ao porto. Vistos da praia, parece que cada barco traz uma nuvem de moscas sobre ele. E é lindo ver o bando de gaivotas no ar a seguir a trajectória do barco, quando ele contorna o farol em curva bem fechada. Algumas gaivotas mais distraídas seguem em frente, mas logo emendam a asa, que a tentação do peixe é um bom corrector de rota.


Ao fim do dia, da varanda do apartamento, fotografei, mais uma vez, a praia que frequento

Sesimbra_12.jpg
Praia do Ouro – no momento em que o sol se vai e as luzes se acendem.


Que saudades e voltei há pouco mais de uma semana...

publicado por DespenteadaMental às 21:39
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9 comentários:
De DespenteadaMental a 3 de Outubro de 2005 às 22:13
Ordisi, Já li, em tempos, sobre a existência de subsídios para "abate" de embarcações de pesca. Para esta situação, agora, não vi nada escrito sobre isso. Quanto ao apartamento, só tem um defeito: não é meu ;) Tenho de pagar :( para usufruir a bela vista que ele tem. Abraço.
De OrdisiRaluz a 3 de Outubro de 2005 às 01:34
Querida Despenteada. A reportagem sobre Sesimbra está excelente. Daqui do ultra-mar, não me parece que tal frota pesqueira seja de causar tão grandes danos à fauna marinha. Não sou especialista, mas - de fato - extremos e extremistas são indesejáveis, incluindo aí ambientalistas. Por outro lado ouvi dizer que haveria fortes subsídios para que tais frotas não fossem mais ao mar durante alguns meses...
Mudando de assunto, o seu apartamento me parece muito bem localizado. Que belas fotos, moça! Beijão.
De DespenteadaMental a 2 de Outubro de 2005 às 22:35
mfc, está provado que a "intelijumência" é farta. Sorte malvada, a nossa.
Abraço.
De mfc a 2 de Outubro de 2005 às 21:50
Lindas fotos destas tuas férias.
Quanto à mármore lisa, Sesimbra nãoé única... cá na Póvoa também um "inteligente" se lembrou de as colocar... é de doidos!
De DespenteadaMental a 2 de Outubro de 2005 às 20:13
Casepagam, Deduzi que falavas de Outubro, a menos que estivesses já a fazer planos para o próximo ano ;)
Então, boa viagem até Sesimbra e aproveita para visitar toda a região envolvente, porque vale a pena.
Abraço.
De DespenteadaMental a 2 de Outubro de 2005 às 20:10
inquieta, Os pescadores "apanhados" pelas novas regras não são, apenas, os artesanais, mas para estes não há alternativa, porque não dispõem de barcos para ir mais longe, nem de quem lhes dê trabalho. É o que resulta de leis feitas por quem desconhece a realidade em que serão aplicadas, como muitas vezes acontece...
Abraço.
De Cassepagam a 2 de Outubro de 2005 às 14:36
Cum caraças... já não dá pra corrigir...
Deveria ter dito: 2ª Quinzena de Outubro!!!...
Tá prometido, ainda que seja eleito para a minha freguesia!...
''É só Energia''!!!!...
De Casepagam a 2 de Outubro de 2005 às 14:34
Ainda bem que regressas-te... relaxadita... de cabeça fresca...
Sabes que me aguças-te o ''engenho''?
Poix...
Na 2ª quinzena de Setembro... vou passar por Sesimbra... e fazer o que gosto de fazer: ''pastar'' por aí!...

De inquieta a 1 de Outubro de 2005 às 23:39
Que delicia viajar com vc,Por. E indignar tb.
Que estragos podem causar aos peixes pescadores artesanais?
Beijo e saudade.
inquieta

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