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Quarta-feira, 14 de Julho de 2004
Interpretação à letra...
casinha cogumelo.jpg


... ou como a diversidade vocabular de um garoto pode surpreender-nos.</p>

Tarde de primavera. Na sala, um vasinho com uma nova planta, toda ela verdura, frescura, humidade e fragilidade. E intimidade, também, porque não é fácil deixar que vejamos o emaranhado fino que lhe suporta as pequeninas folhas.
Sempre que vejo uma plantinha destas, nasce dentro de mim, no meu recanto mais infantil e sonhador, um Gulliver, que se imagina a olhar, de cima, uma floresta frondosa. E gosto de imaginar o que seria ver aparecerem pequeninas criaturas, poder segui-las, ver as suas minúsculas casinhas de cores brilhantes (sim, teriam de ter cores brilhantes, transparentes, como eram (são?) os rebuçados da “heller’s”).
Essas casinhas parecem cogumelos, daqueles bem rechonchudos, e têm janelas tão pequeninas que o bico de um lápis seria excessivo para desenhá-las.
Cada casa tem um jardim e uma horta. Sob as minúsculas árvores de fruto, há um cão que corre, louco, atrás de uma borboleta mais afoita.

Plim!... A borboleta fugiu, o cão ladrou e desfez esta minha visão onírica.
Plim!... Afinal, o som vinha da campaínha da porta. Alguém enviado por um deus menor, para pôr fim ao meu sonho...
Fui atender. Era o meu sobrinho, que mora no piso de cima, com toda a sua vivacidade e curiosidade.
Percebendo, pelo meu olhar, que era na sala que eu estava quando ele me despertou, sem precisar de confirmar, correu para lá.
- Tia, tens uma flor nova?
- É nova, mas não é flor, nem vai dar flores... só folhas e pequeninas, como vês...
- Como se chama?
- Chama-se “não-te-metas-na-minha-vida”.
- Diz lá como se chama...
- É assim, como te disse: - “não-te-metas-na-minha-vida”.
- Né, nada... - dizia ele, com um pé na dúvida sobre o que eu dissera e outro na dúvida sobre o que lhe parecia ser o meu ar sério, no qual ele costumava confiar.
- Ai!...
Esta minha interjeição era o que faltava para o convencer.
Coloquei o vasinho no chão e sentámo-nos a olhar para a plantinha.
Então, disse-lhe o que imaginava ver. Os olhos dele andavam cá e lá, do vaso para a minha cara e vice-versa e com um brilhozinho bom de ver.
Penso que ele também estava a ver as casinhas.

Plim!... Hesitei. Seria a borboleta dele que fugira, o cão dele que ladrara, o sonho dele que fora interrompido?... Ou seria...?...
Era, novamente, a campaínha da porta. Desta vez, era o meu irmão que vinha buscar o filho.
Nem precisou de o chamar. O garoto, logo que percebeu quem era, correu ao seu encontro, não para ir-se embora, mas para levar o pai a ver a planta.
- Olha, pai, a tia tem uma... uma planta nova... Tia, diz ao meu pai como se chama...
- Diz tu...
- Não me lembro...
- Ainda há pouco te disse e já não te lembras?!...
- É “não-me-chateies”???...
Foi uma gargalhada em uníssono, minha e do meu irmão, enquanto o garoto, sem se importar com a razão do riso, já estava, encantado, junto da planta, talvez vendos os meninos regressarem do colégio às suas casas em forma de cogumelo e com cores de rebuçado. Os sabores também eram de rebuçado, certamente.


(imagem: encontrada em http://www.clickcasa.com.br/images/288x288/1487.jpg)


publicado por DespenteadaMental às 18:36
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