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Sábado, 12 de Novembro de 2005
Num jardim imaginário

A young girl carefully touches the thorn of a cactus_John Burcham.jpg


Neste Jardim da Celeste,
à beira-abismo plantado,
há um cacto hirto, agreste,
que se tem por desejado.
Só se for pelo canteiro
das urtigas mal-fazejas
que, à falta de jardineiro,
crescem mais do que carquejas.
Ou será p’lo alcatrão
que estendeu entre canteiros?...
Ou talvez pelo betão
destes muros altaneiros?...
Talvez também o deseje
um trevo mais exaurido,
para sombra em que almeje
viver azedo e florido.
Só não convence o cipreste
que, do seu porte alto e sério,
já lhe gritou: Ó agreste,
pensas que isto é o cemitério?!...
Só lá é que faz sentido
essa mudez programada,
pois quem morreu está morrido,
já não pergunta mais nada.
E se algum morto esquecido
do seu estado de extinção
se mostrar mais atrevido
nalguma interpelação,
então, sim, pões um ar sério
e cortas lesto o paleio,
antes que no cemitério
nasçam forças de bloqueio.
Agora, aqui, no jardim,
não há lugar para amorfos,
por isso é que p’ra cá vim,
cansei-me de só ver mortos.
E sais-me tu pela frente
com esse ar encafuado
e a pensar que há muita gente
que te tem por desejado!...
É que cipreste sou eu
e nunca, no meu fadário,
para tal coisa me deu,
ser assim tão funerário.
Eu não seja mais cipreste,
nem arbusto, sequer mato,
se no Jardim da Celeste
o desejado é um cacto...



(imagem: “A young girl carefully touches...” - John Burcham –
art.com)

publicado por DespenteadaMental às 23:48
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8 comentários:
De DespenteadaMental a 15 de Novembro de 2005 às 23:24
Pindérico, Por isso mesmo, "é preciso avisar toda a gente", como dizia outro Poeta.
Abraço.
De Pind a 14 de Novembro de 2005 às 23:45
E que perigoso é, para os incautos!
De DespenteadaMental a 14 de Novembro de 2005 às 22:04
MFC, Com o (des)caminho que a floresta leva, oxalá um dia ele não venha a felicitar-se por tal má-sorte... Isto, se nenhum pato bravo conseguir acabar com os cemitérios tal como os conhecemos, para lá construir mais uns caixotes betonados.
Abraço.
De DespenteadaMental a 14 de Novembro de 2005 às 22:01
JRD, Continuando a cantar e a inovar, seria: gira daqui, gira p'ra lá...
Abraço.
De DespenteadaMental a 14 de Novembro de 2005 às 21:58
Cláudio, Aqui, também não tem. A utilização que lhe dão é que sim, mas ele não tem culpa disso.
Abraço.
De mfc a 13 de Novembro de 2005 às 19:40
O cipreste lindo não merecia a sorte de ser ornamento de cemitério!
De jrd a 13 de Novembro de 2005 às 19:34
Há cactos e cactos, mas esse: "Não o quero ver por cá, gira o flé gira o fla".
Olá!
De Cl a 13 de Novembro de 2005 às 10:03
Na Toscânia, onde o cipreste é endémico, nada tem de aziago ou sinistro tão belo e orgulhoso exemplar de árvore!

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