Não digas que olhe em frente e que prossiga,
porque nada mais sentes, tudo acabou...
Se em ti tudo morreu, em mim ficou,
e nunca o esquecerei, mesmo que o diga.
Serei o verso a mais numa cantiga...
Serei a nota que desafinou...
E, do tanto que fui, agora sou
a que, ontem, tudo teve e, hoje, mendiga.
Não me lamento, não, nem me arrependo,
antes me afinco neste amar imenso,
e quanto mais te afastas, mais me prendo.
Guarda, ao menos, de mim, uma lembrança,
pois, sabendo que a guardas, sinto e penso
que, enquanto ela durar, haverá esperança.
(imagem: "Ipê" - foto de Ricardo Monteiro - Álbum da natureza)